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Por: JESIEL PINTO Assessoria/Ses-MT
O aparecimento dos caramujos do tipo Achatina fulica Bowdich, mais conhecidos como Caramujo Gigante Africano tem sido relatado, em Mato Grosso, desde o ano de 2004 quando exemplares dos animais foram encontrados nos municípios de: Água Boa, Alta Floresta, Alto Garças, Araputanga, Barra do Garças, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Jaciara, Nova Canaã do Norte, Novo Horizonte do Norte, Pontal do Araguaia, Rondonópolis, São José do Rio Claro e Tangará da Serra.
O técnico da Coordenadoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado, biólogo Aécio Moraes de Paula, disse que proliferação desse tipo de molusco é preocupante em vista do efeito que causa ao meio-ambiente e possíveis riscos à saúde dos humanos. Na natureza o Caramujo Africano causa profunda depredação: pesquisadores relatam que o animal come até plástico, de tão voraz que é e já se investiu muito dinheiro no controle dele, como praga ambiental.
Além disso esse molusco é visto como possível vetor de duas doenças de vermes ,as helmintoses Angistrongilíase abdominal e a Angistrongilíase meningoencefálica. Aécio alertou para o fato de que ainda não foi registrado, no Brasil, ocorrência natural de infectação do Caramujo Africano por esses vermes, “mas testes laboratoriais comprovaram essa viabilidade o que pode causar riscos à saúde humana”.
Vários municípios enviaram exemplares do Achatina fulica para a Coordenadoria de Vigilância Ambiental onde foram identificados por Aécio e a técnica Vera Lucia Dias Lopes e remetidos a especialistas que confirmaram a identificação da espécie.
Aécio explicou que ele e Vera Lúcia realizaram extensas pesquisas para descobrir como agir diante da proliferação do caramujo africano. Eles consultaram experiências bem sucedidas no combate e controle do molusco. Uma delas é a realização, nos municípios onde há proliferação de Caramujos Africanos, de campanhas educacionais que identifiquem o Achatina fulica e que atinjam o maior número possível de pessoas, inclusive moradores da zona rural.
Treinar agentes de saúde e a população em geral para coletar, reconhecer e exterminar o caramujo foi outra sugestão. O extermínio pode ser de duas maneiras: por queima dos criatórios do caramujo ou por afogamento e desidratação em água salgada. Ao coletar o achatina fulica os voluntário que se apresentarem para a ação deverão proteger as mãos com luvas ou usar um artefato para manusear os animais acondicionando-os em um recipiente apropriado. Ao incinerar ou afogar os caramujos deve-se tomar cuidados para que eles não se enterrem no chão ou então enterrem os ovos no solo
Eliminar depósitos de lixo, onde o Achatina fulica gosta de morar, manter quintais livres de mato e exercer cuidados especiais com hortas caseiras ou comunitárias, lavando os produtos dessas hortas com uma solução de vinagre e água também foram mencionados como medidas de profilaxia.
Vera Lúcia lembrou que “é preciso ter muito cuidado quanto à identificação do Achatina fulica. Ele não deve ser confundido com exemplares nativos da região que não devem ser exterminados sob pena de prejudicar o meio-ambiente. O Caramujo Africano é mais escuro, maior e sua concha tem formato ligeiramente diferente do habitante local, o Heliux aspersa, conhecido popularmente como escargot.
ORIGEM – Aécio contou como o Caramujo Africano chegou em solo mato-grossense. “O achatina fulica é um molusco terrestre pulmonado, originário do leste da África”, explicou. Por volta da década de 90 vários criadores de caramujos, conhecidos como helicultores, foram aconselhados a importar matrizes do caramujo africano, que tem ciclo reprodutivo maior e mais rápido do que o escargot, colocando até 200 ovos em época de procriação, para cria-los como opção mais comercial o que foi feito sem nenhum controle por parte dos órgãos oficiais. “Acontece”, acrescentou Vera Lúcia, “que a carne do Achatina fulica é muito mais dura do que a do escargot e ele não caiu no gosto popular. Como resultado os helicultores desistiram da criação e os animais fugiram de seus criadouros, começando a se espalhar por todo o Estado”.
A QUEM PROCURAR - Aécio disse que o Caramujo Africano não é, ainda, um problema de Saúde Pública. “Até o momento”, afirmou o técnico, “ainda não conseguimos incriminar o Achatina fulica como vetor de qualquer uma das verminoses que ele pode hospedar. Por isso ele é, por enquanto, um problema ambiental”.
A técnica da Vigilância Ambiental ressaltou que caso surja uma infestação de Caramujos Africanos os moradores do município devem entrar em contato, sem demora, com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de sua região para maiores esclarecimentos . Ela acrescentou que, apesar da atribuição do problema do Caramujo Africano pertencer à área do Meio Ambiente a Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde continua sendo procurada para informar sobre o que fazer quando o Achatina fulica for encontrado numa região. .
Aécio informou que no site da Saúde, no endereço eletrônico www.saude.mt.gov.br, há uma nota técnica sobre as medidas preventivas a tomar no caso de infestação do Caramujo Africano. “É sempre bom ressaltar que, ao manusear o Achatina fulica nunca se deve tocar no animal com as mãos desprotegidas e, se o fizer, lavar bem as mãos após o ato. A possível infectação se dá por mucosas do organismo humano (boca, nariz etc) ou se houver um ferimento em que a ferida estiver exposta”,explicou ele. Adicionar como favorito (0) | Publique este artigo no seu site | Visto: 499
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