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Meire Rose
Nesta data 08 de março, Dia Internacional das Mulheres, neste ano completando 100 anos de comemorações, assim, vale lembrar algumas conquistas e o que ainda falta para que as mulheres sejam reconhecidas na sociedade como pertencentes dela na sua totalidade.
Poderia escolher várias temáticas a respeito da questão da mulher, mas vou me ater a apenas uma: a mulher e o trabalho. Qual era o destino das mulheres há 60 anos? Seu destino quase que exclusivo era o do casamento, ser dona de casa, cuidar dos filhos e do marido, e se fosse trabalhar além do lar teria que pedir permissão ao esposo.
Hoje, nós mulheres podemos escolher que caminho seguir em nossas vidas, o casamento, o estudo, o trabalho, a ascensão profissional, a participação em sindicatos, dar opiniões, mas para se chegar até essas condições que parecem naturais, muita luta foi travada, tivemos que conquistá-las. Se antes a luta era por bandeiras mais definidas como pela educação, pelo direito ao voto, pela participação política, pelas conquistas nas leis, na Constituinte, atualmente continua o desafio de lutar pela igualdade não só nas leis, mas na vida, pelo direito ao trabalho em condições de igualdade ao homem, pelo reconhecimento da maternidade como função social e pelo efetivo direito de assistência integral à saúde da mulher.
No século XXI, temos resultados favoráveis a comemorar. Ao longo da luta centenária, as mulheres conquistaram espaço positivo: ampliação da licença maternidade, proibição da discriminação sexual no trabalho, a Lei Maria da Penha contra a violência doméstica, a reforma no Código Civil e o direito da mulher à posse da terra, apenas citando as de maior impacto. Nós ganhamos respeito e participação. A socióloga Rose Marie Muraro em uma de suas falas afirma que a mulher brasileira no início do século XXI representava 42% da força de trabalho. É responsável por 2/3 das atividades universitárias, 24% do mercado executivo e 13% do Congresso Nacional. Um avanço incontestável. Mas, ao lado dessa inserção crescente, o impasse da dupla jornada permanece como problema crônico. A vida privada ficou à margem dos avanços no espaço público. Se o acesso ao trabalho é um passo importante para a inserção social da mulher, não resolve o problema da desigualdade, que se manifesta não só no âmbito do trabalho, como na sua vida cotidiana.
A bandeira do acesso ao trabalho continua sendo um ponto fundamental para a caminhada emancipadora da mulher. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, em 2007, 39% das mulheres pesquisadas relacionam a condição feminina à independência econômica e 33% à independência social. Mas a bandeira do direito ao trabalho não se restringe à questão do acesso.
A luta pelo acesso ao trabalho só não basta. É preciso lutar para combater as desigualdades no âmbito do trabalho, seja de salários, funções e condições melhores, mas é preciso desde já travar uma batalha pela desconstrução/reconstrução para homens e mulheres, dos valores e das práticas predominantes. Portanto, defender a bandeira do trabalho hoje é lutar pelo acesso, igualdade salarial, combater a precarização, defender políticas públicas, e a luta de idéias para modificar os valores deformados de submissão da mulher em relação ao homem, de papéis que não correspondem à conjuntura atual.
Escrito por Meire Rose.
Laboratório de Ensino de Geografia - Legeo
Departamento de Geografia
Universidade Federal de Mato Grosso
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