Agronegócio

Agro provoca aumento de até 90% no PIB de Canarana que saltou de 1,1 para 1.8 bilhões

O crescimento de 4,97% do PIB de MT é maior que o PIB nacional, estimado em 3,2%

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A expansão de atividades ligadas ao agronegócio, em municípios de Mato Grosso, tem contribuído diretamente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em regiões com economias antes estagnadas ou de baixo crescimento. Destaque para municípios do Norte Araguaia e Alto Teles Pires, Paranatinga, Sinop e Canarana que chegaram a ter aumento de até 900% no PIB local, dados do IBGE de 2018. A previsão é que a alta se consolide em 2021, com a expectativa de crescimento de 4,97% no seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo pesquisa da MB Associados, divulgada em agosto.

Essa projeção de crescimento só é possível graças principalmente ao desempenho nas lavouras no ano. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Valor Bruto de Produção (VBP) estimado da agropecuária de Mato Grosso para 2021 é o maior do país, de aproximadamente R$ 184,3 bilhões, valor 22% maior que o Paraná, que ocupa a segunda posição no ranking com R$ 144,3 bilhões.

De acordo com o superintendente de Agronegócio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Sérgio Leal, tais avanços coincidem com a implantação da agricultura e pecuária tecnificada nessas localidades.

Pesquisas apontam que de 2002 a 2018, Mato Grosso registrou a maior diferença na participação do PIB do país, com crescimento de 0,67% e subindo da 15ª para a 13ª maior economia do país. No mesmo período, São Paulo viu sua participação no PIB nacional cair 3,29%.

Pandemia 

A solidez do agro na economia de Mato Grosso ficou ainda mais evidente em 2020, ano em que a pandemia da Covid-19 causou um tombo de 4,1% no PIB do país. Mesmo com todas as dificuldades, de acordo com o Banco Central (BC), a região Centro-Oeste, berço do agronegócio no Brasil, registrou crescimento de 0,2% no ano passado, graças à safra recorde de grãos e as cotações das commodities, em especial de soja e carnes, que impulsionaram as vendas externas.

Ainda de acordo com o IBGE, neste mesmo período, no interior de Mato Grosso houve registro de crescimentos vertiginosos, como nos casos das regiões de Norte Araguaia (990%) e Alto Teles Pires (948%), bem como nos municípios de Paranatinga (844%), Sinop (842%), Canarana (840%). Foi a chegada da tecnologia e da gestão no campo que elevou os números do PIB e, claro, gerou emprego e renda para as famílias.

Só nos últimos 10 anos o número de empresas no município de Sinop, cresceu cerca de 150%. O Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, permanece 0,807 (quanto mais próximo de 1 mais desenvolvido). E as vagas de emprego subiram em média 110 % de 2016 até agora, segundo dados da prefeitura de Sinop.

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“Podemos observar a reconfiguração da divisão e participação de determinadas regiões de Mato Grosso no PIB do estado. Nos últimos 20 anos, a região Centro-Sul perdeu espaço para as regiões norte e nordeste do estado, justamente quando essas áreas começaram a desenvolver e aplicar o uso da tecnologia no agronegócio com objetivo de aumentar a sua produtividade, e alcançaram esses objetivos em curto espaço de tempo”, explica Sérgio Leal.

Para o presidente do Sistema Famato e do Conselho da Agroindústria de Mato Grosso (Coagro/Fiemt), Normando Corral, a participação do agro no PIB do estado gera crescimento também para outros setores da economia, como da indústria e de serviços. Ele reforça o compromisso da entidade em investir em pesquisas para orientar e atualizar os produtores sobre as melhores técnicas de aplicação na atividade.

“Mato Grosso é um estado com forte característica agrícola e pecuária. E o agro contribui com mais de 50% do PIB do estado, gera emprego e renda tanto para o próprio setor como para outros segmentos como a indústria, comércio e serviços. O Sistema Famato vem trabalhando fortemente nos últimos anos para fortalecer a capacitação e atualização dos trabalhadores e produtores rurais, por meio dos cursos oferecidos pelo Senar-MT em diversos municípios do estado. Através do Imea, também temos investido em pesquisas para orientar os produtores nas decisões em relação às melhores tecnologias a serem utilizadas no campo”, afirma.

Sérgio Leal aponta ainda, que os levantamentos divulgados pelo IBGE comprovam que nos municípios em que o agro entrou e se instalou, levou também riqueza e desenvolvimento para a região.

“Municípios que fazem parte da região do Vale do Araguaia, antes conhecida como Vale dos Esquecidos, estão crescendo e se desenvolvendo graças ao trabalho realizado pelos produtores, principalmente com a implantação de tecnologia e conhecimento na gestão do negócio”, pontua.

Industrialização do Vale do Araguaia 

Exemplo disso vem do município de Porto Alegre do Norte (distante 983 km de Cuiabá). Com aproximadamente 13 mil habitantes, o município que faz parte da região do Vale do Araguaia aposta na industrialização e expansão do agronegócio.

O produtor rural e empresário, Ernando Cardoso percebeu a necessidade de implantar o uso de tecnologia na agricultura como forma de agregar valor e industrializar os produtos produzidos na região. A instalação de uma indústria que produz farelo de soja e óleo vegetal ajudou na geração de emprego de aproximadamente 150 pessoas de forma direta e 450 de forma indireta. “Compramos grãos dos produtores da região do Vale do Araguaia e grande parte do farelo que produzimos fica aqui mesmo na região. O farelo que produzimos serve para alimentar animais dos produtores aqui da região”, contou.

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Ernando revela ainda investimentos para a implantação de aviários na região. “Acreditamos no desenvolvimento da nossa região através do agronegócio e com o emprego da tecnologia. Vamos entregar as estruturas dos aviários, os animais e o conhecimento necessário para os pequenos agricultores tocarem o negócio para que em breve possamos ter produção de aves em larga escala”, explicou.

Impacto no comércio e indústria

O gestor de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, reforça a importância do papel do agronegócio no desenvolvimento dos pequenos municípios.

“De modo geral, se olharmos a evolução histórica e como se desenvolveram as cidades do estado com a chegada do agronegócio, sempre observamos um salto no desenvolvimento econômico, o que contribui para a geração de mais emprego e renda, e acaba alavancando outros setores da economia, como o do comércio e da indústria. O agro move a roda da economia destes municípios e promove melhorias na qualidade de vida também para a população ao seu redor”, defende.

Os dados disponibilizados pelo IBGE demonstram ainda a estagnação das cidades localizadas na região Sudoeste do estado, que perderam espaço na participação na economia de Mato Grosso.

Campo x redução de pobreza 

Todo esse avanço nos números do agronegócio reflete também no aumento da renda das famílias que vivem da atividade. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT), aponta que o número de pessoas em extrema pobreza em Mato Grosso reduziu de 13,72% em 1991 para 4,41% em 2010 (último ano em que o Censo foi realizado), redução de 68%. Já o número de pessoas consideradas pobres reduziu de 35,48% para 10,52% no mesmo período.

“O setor agro é a mola propulsora da economia em nosso estado e nos municípios em que está consolidada promove o crescimento da indústria, comércio e serviços. Os números que foram apresentados mostram isso. O fortalecimento do campo gera empregos e renda na cidade. É desenvolvimento com sustentabilidade e tecnologia, produzindo alimentos e promovendo a distribuição de riquezas”, destaca o presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa.

 

 

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Agronegócio

Suspensão das importações já afeta produção de 9 frigoríficos

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Suspensão das importações de carne bovina brasileira por 3 países após casos atípicos da doença da “vaca louca” afeta produção de 9 frigoríficos de Mato Grosso. Desde o dia 4 deste mês, a China deixou de comprar a proteína animal fornecida pelo Brasil. O país asiático consumiu 50% do volume de carne bovina exportada pelos frigoríficos mato-grossenses em 2021. A interrupção das exportações para a China foi imediata à confirmação dos dois casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) -doença conhecida como o “mal da vaca louca” -em Mato Grosso e em Minas Gerais. Na sequência, Rússia e Arábia Saudita – este no dia 6 – também deixaram de importar o produto.

Dentre os 32 frigoríficos aptos à exportação com Serviço de Inspeção Federal (SIF) no Estado -11 deles pertencentes ao grupo JBS -, 7 são habilitados a vender para a China e dois para a Rússia, informa o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo). A suspensão das importações de carne bovina brasileira pela Arábia Saudita envolve 5 frigoríficos de Minas Gerais, esclarece o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Para Arábia Saudita, (exportações) sem restrições”, diz o presidente do Sindifrigo, Paulo Bellincanta, sobre as vendas externas de Mato Grosso para aquele país.

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De acordo com ele, todos os frigoríficos de Mato Grosso aptos a vender para China e Rússia estão sem produzir para estes dois países. Eles representam 28% do total de indústrias aptas à exportação da proteína animal no Estado.

Neste ano, os frigoríficos mato-grossenses exportadores de carne faturaram US$ 1,1 bilhão com embarque total de 247 mil toneladas de carne bovina, de janeiro a agosto. Deste volume, 50,5% foram direcionados para a China, que demandou 124.898 (t) por US$ 640,7 milhões, segundo o Mapa. A Arábia Saudita importou 3.897 (t) de carne bovina por US$ 17,2 milhões, acumulados nos 8 meses de 2021. Sobre a Rússia, a plataforma digital Agrostat do Ministério da Agricultura não forneceu informações.   Comparado com os 8 primeiros meses de 2020, as vendas de carne bovina de Mato Grosso aumentaram 24,9% para China e 26,2% para Arábia Saudita neste ano. Ao todo, o comércio do produto com os demais países apresentou redução de 4,2% em volume e evolução de 8,8% no saldo comercial em relação ao último ano. Em 2020, até agosto, Mato Grosso embarcou 257.978 toneladas de carne bovina pela quantia total de US$ 1 bilhão.

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Tratativas 

O Mapa esclarece que a Arábia Saudita suspendeu importações devido a ocorrência de EEB, apesar da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) ter concluído, no dia 6, que não há risco de contaminação do rebanho por ser atípica. A decisão daquele país foi comunicada ao Mapa pelo adido agrícola em Riade. Foram encaminhadas informações técnicas sobre o caso para as autoridades sanitárias da Arábia Saudita e estão sendo realizadas reuniões, mas não há ainda previsão sobre a retirada das suspensões. Em relação à China, o Brasil suspendeu temporariamente – no dia 4 -as exportações de carne bovina em cumprimento ao protocolo sanitário firmado com aquele país. A suspensão continua vigente até que autoridades chinesas concluam avaliação das informações repassadas pelo Brasil. Também não há, ainda, previsão de retomada das vendas desse produto para aquele país.

A Rússia suspendeu, na semana passada, alguns produtos de alguns SIFs. O Mapa enviou informações técnicas as autoridades sanitárias da Rússia, solicitando que essas restrições temporárias não sejam impostas.

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