Agronegócio

Escassez de chuva provoca queda de 60% na produção de pequi em Ribeirão Cascalheira

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Com a falta de chuva durante oito meses, os produtores do município de Ribeirão Cascalheira contabilizam uma queda que pode chegar a 60% na produção de pequi. A colheita já começou e dura dois meses (novembro e dezembro).

O cultivo do pequi é nativo e ocupa uma área de 120 hectares, e alguns produtores estão plantando novas mudas para serem utilizadas também no reflorestamento de áreas degradadas.

O técnico agropecuário da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Carlos Alberto Quintino, fala que a planta nativa do cerrado, o Pequi (Caryocar brasiliense), necessita de água para florescer.

Com a escassez das chuvas de inverno e 240 dias de estiagem, a previsão é colher somente 300 toneladas do fruto. Ele destaca que o município produz 900 toneladas por ano, ou seja, está prevista uma quebra de 600 toneladas de pequi.

Quintino acredita que os prejuízos financeiros podem chegar a aproximadamente R$ 645 mil. Uma caixa com 28 quilos de pequi está sendo comercializada a R$ 30,00. O quilo é vendido por R$ 1,071.

A safra do pequi tem movimentado, nos últimos anos, a economia do município com compradores de Brasília, Goiânia e Cuiabá. “Mesmo com a estiagem os frutos são carnudos, bonitos e amarelos”, ressalta.

Na época da colheita, é comum comercializar em torno de 12 mil quilos do fruto por dia.

Nesta safra há uma demora de aproximadamente três dias para colher 12 toneladas. Conforme o técnico da Empaer, esse produto extrativista é uma alternativa econômica para muitos agricultores familiares da região.

Normalmente uma árvore de pequi produz em média dois mil frutos por colheita, e começa a produzir no quinto ano, após o plantio.

O produtor rural Argemiro Coelho de Moraes, proprietário de uma área de 84 hectares localizada no assentamento Santa Lúcia, plantou 300 árvores de pequi.

Muitas delas já estão produzindo. Argemiro conta que em anos anteriores colheu 250 caixas, em torno de 7 mil quilos do fruto e, nesta safra, acredita que não vai colher 50 caixas, ou seja, 1.4 mil quilos de pequi.

Ele considera o pequi da região o melhor do Brasil e enfatiza que o fruto possui 64% de polpa e apenas 10 caroços do pequi pesam em média 1,250 gramas.

O produtor destaca que a sua atividade principal é a bovinocultura de corte e leite e, nessa época do ano, o fruto do pequi garante para muitos agricultores familiares um rendimento extra.

“Nesta colheita será diferente e os rendimentos serão menores. Espero que no próximo ano, as chuvas sejam em abundância e a produção farta. Temos que acreditar e trabalhar muito”, enfatiza.

Quatro variedades

Conforme Decreto Governamental, o pequi é considerado uma das árvores símbolos de Mato Grosso, representando o bioma cerrado.

No estado, foram encontradas quatro variedades, na região da Baixada Cuiabana: o pequi de tamanho pequeno e o mais consumido na culinária, de tamanho médio em Barra do Garças, o grande em São Félix do Araguaia e o pequi sem espinho encontrado no Xingu, na reserva indígena.

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Veto à carne pela China tem relação com desgaste diplomático de Bolsonaro, dizem lideranças ruralistas

Presidente e seus aliados têm atacado há anos o país que é maior parceiro comercial do Brasil

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Lideranças da bancada ruralista no Congresso dizem acreditar que a decisão da China de manter o veto à compra da carne brasileira é influenciada, em menor ou maior grau, pelo desgaste diplomático com o país asiático gerado por Jair Bolsonaro e seus apoiadores nos últimos anos.

Ainda que os ataques tenham reduzido recentemente, o presidente e seus aliados já atribuíram a criação da Covid à China, por exemplo. Em maio, Bolsonaro sugeriu que a China faz guerra biológica com o coronavírus.

Em outro episódio, Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, tentou ridicularizar o sotaque dos chineses em publicações nas redes sociais.

“Estamos vendo com muita aflição”, diz Neri Geller (PP-MT), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e ex-ministro da Agricultura.

“Acho que o governo melhorou nos últimos seis meses, tirou o ingrediente ideológico e entrou a questão mais pragmática e comercial, que tem que prevalecer. Mas tem, sim, um rescaldo, que atrapalhou e atrapalha”, completa.

 

“Desde o começo do governo nós da base alertamos que, ainda que o alinhamento ideológico seja com os Estados Unidos, nossos grandes parceiros comerciais consumidores estão no Oriente. Nosso maior comprador é a China. Precisamos ter um cuidado muito especial com esses países. E esse embargo prejudica muito”, afirma Geller.

Ele alerta para o temor de um efeito na cadeia. “Hoje está na proteína animal, mas pode repercutir amanhã na soja, no milho, nas commodities que vão para fora”, diz, ressaltando que acredita que o problema será temporário e logo a relação será retomada.

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Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da bancada, diz que a China se comporta historicamente dessa forma quando deseja renegociar preços, mas que as mais profundas motivações do embargo só deverão ser descobertas durante possível viagem da ministra Tereza Cristina (Agricultura) à China.

“A China sempre foi muito pramática. Do ponto de vista ideológico, é socialista, mas do ponto de vista da economia, é dos países mais liberais, com competição de mercado internacional. É possível que, se tiver outro país mais alinhado a eles e que possa oferecer grandes volumes de carne, a China exerça a preferência nesse período. Não creio que seja o motivo predominante [o desgaste ideológico com o Brasil], acho que está muito mais relacionado a preço, mas pode sim ter contribuído para essa decisão [pela manutenção do embargo]”, avalia Moreira.

“Qualquer coisa que se refira à China tem impacto enorme no Brasil, pois são grandes clientes. Uma crise como essa vai gerar aprendizagem”, continua o parlamentar.

“Assim como estamos com uma série de prejuízos no Brasil por falta de semicondutores, inflação de demanda absurda porque não conseguimos comprar de Taiwan, o que mostra que deveríamos ter política industrial de estratégia para não ter essa relação de dependência, também temos que ter uma política de capacidade de absorção de estoques quando um país como esse deixa de comprar. Não podemos queimar as cadeias produtivas”, acrescenta o parlamentar.

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