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Reta final para montagem de chapas proporcionais de Mato Grosso

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Nessas eleições de 2022 muitos dirigentes de partidos e articulistas estão rebolando para montar as chapas proporcionais, porque mudou tudo.

Existem muitas mudanças em curso que impactarão nos resultados eleitorais:

O número máximo de candidatos por chapa partidária que reduziu de 150% do número de vagas disputadas para 100%+1; O fim das coligações proporcionais;

As Cláusulas de barreiras-metas nacionais dos partidos e a mudanças nos cálculos das chamadas vagas remanescentes ou das sobrinhas que agora tem que alcançar no mínimo 80% da média do quociente das vagas diretas.

O aumento do fundo eleitoral vai deixar disponível muito dinheiro público para montagem de chapas eleitorais, será o maior montante desde que a lei foi criada.

Em tese, essa grana irrigará as chapas de deputados estaduais através das chamadas dobradas federais/estaduais. Isso pode ser apenas mais um sonho ou isca para fisgar candidatos desavisados.

O fundo é carimbado e os candidatos terão que organizar uma boa contabilidade para prestar contas depois.

Existem dirigentes que fazem contas miraculosas com esse dinheiro que vem de Brasília dos partidos para fechar a chapa, porém depois de filiados, esse dinheiro pode simplesmente não existir, ou não ser repartido igualitariamente para todos, como geralmente ocorre. Fiquem atentos.

Essa é uma forma de passar o trator de esteira nos concorrentes da própria chapa, caso precise.

Os partidos tradicionais já possuem seus candidatos prioritários e solta o resto da chapa na quebrada da disputa. Nem acho que a turma cai mais nesse canto da sereia.

Quem tem boletim de urna ou tem estatura política (votos na cumbuca) está valendo ouro no fechamento das chapas e se for mulher então, nem se fale, é peso em dobro.

Sabendo disso, esses candidatos mais escolados,, estaduais e federais estão pedindo estruturas do fundo partidário inimagináveis para disputarem ou comporem o cast dos partidos.

Ocorre nesse momento também o afunilamento e esvaziamentos dos partidos pequenos, mesmo antes da fusão oficial.

As chapas dessas siglas pequenas são atacadas pelos grandes partidos para cooptar seus melhores quadros inviabilizando seus projetos.

Sobrará poucas chances eleitorais para essas legendas. Era esse o objetivo da legislação inclusive.

Em tese, teremos nas minhas contas, mais ou menos uns 8 partidos competitivos nas proporcionais em Mato Grosso, dos mais de 20 existentes.

E dos mais de 300 candidatos estaduais das eleições 2018, esse número pode cair pela metade com o fim das coligações e na mesma proporção nas chapas para federal.

Aliás nesse segundo caso, as dificuldades são bem maiores na montage dos nomes.

Como consequência, o sarrafo eleitoral individual subirá muito, pois, com menos candidatos no mercado, mais votos teremos disponíveis.

Obviamente, quem tem recall de imagem, mandato, sairá na frente nessa disputa, como sempre.

Faço e refaço contas de calculadora, com 25 nomes de candidatos a estadual e dificilmente enxergo um partido desses maiores elegendo três deputados e alcançando aproximadamente 140 mil votos na legenda, tendo 2,3 puxadores de votos, não será fácil.

Essas mudanças legislativas fracionarão e redistribuirão as forças políticas no Congresso entre os maiores partidos, impactando na governabilidade do executivo mais tarde.

Teremos uma assembleia com menos partidos e mais equânimes no número de vagas entre os grandes partidos, na média geral, de duas vagas para as chapas campeãs de votos e excepcionalmente 3. Justamente pela montagem e cálculo dos votos em geral por sigla.

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Atualmente a AL MT tem 16 partidos representados, prevejo uma diminuição para metade do número de siglas em função desse afunilamento e robustez das chapas.

Vamos analisar depois do prazo final de filiações e federações como ficou os times.

A mesma coisa penso em relação aos candidatos a federais, eleger dois deputados será um pouco mais difícil que estadual, pouquíssimos partidos conseguirão, nas minhas contas, talvez três partidos.

Ou alguém acha que será fácil fazer obter 280 mil votos numa chapa de 9 candidatos, garantindo duas vagas?

Outra peculiaridade é que fora das grandes siglas não existirá espaço para furar esse bloqueio, além dos grandes partidos terem mais recursos do fundo eleitoral.

Saiu de cena uma centena de aventureiros de eleições e entrou o time mais profissional, com boletim de urna e politicamente testado, digamos assim.

Noutro aspecto, as chapas em geral só tem cabeças puxadores de voto, como se diz, sem corpo e rabo de chapa.

Nesse cenário, tem deputados no mandato ameaçados de ficar de fora, sem coeficiente de cobertura.

A briga dos deputados no mandato com as grandes siglas é grande cobrando chapa e viabilidade eleitoral para disputar. A pressão maior está nos três maiores partidos com maior número de parlamentares eleitos UB, PL e MDB e tende a piorar nos próximos dias. Para alguns deputados está ficando agonizante esse jogo de xadrez com a morte. Será um jogo de parir gato!

Quanto mais tempo demora para se definir a filiação por parte de quem tem mandato, maior a agonia, porque quem filia na frente, já entra pedindo exclusividade ou vetando possíveis concorrentes. A famosa chantagem, se fulano entrar na chapa eu saio do outro lado.

Quem muito escolhe, acaba escolhido diz o ditado. O dono do veto tem que estimar bem seu tamanho no tabuleiro, porque se vetar demais, ele mesmo pode ser vetado pelas urnas sem quociente.

Cada lista dos candidatos têm contas diferentes em relação ao desempenho individual e dos concorrentes da mesma chapa, uma disputa interna ferrenha que seguirá até o dia das eleições.

É natural que o próprio deputado se ache maior eleitoralmente do que verdadeiramente é. Uma matemática fina quase jogo de adivinhação!
Imagina como exemplo, como and ao clima da chapa de Deputado Federal PL, apelidada de Chapa da Morte que tem Nelson Barbudo, Medeiros, Cel. Fernanda, ‘Emanuelzinho’ e Rosana Martinelli disputando as vagas? Quem toparia disputar nas outras 4 vagas disponíveis? Difícil fechar essa equação.

Mas os partidos tem muitas artimanhas para atrair novos navegantes: a velha história do “me ajuda que eu te ajudo depois”, o sonho do apoio político aos candidatos que perderem nas próximas eleições de 2026; Ás velhas propostas de rodízios de pizza de mandatos e outras vendições de sonhos, estrutura financeira e o acesso cartão do fundo eleitoral “platinum e innfinity”.

Fica a dica, ninguém mata dois pleitos numa eleição só! Negocie tudo agora, no tabuleiro de xadrez de 2022, o peão só caminha uma casa no jogo!

Muitos dizem que após o prazo final das filiações, os candidatos paparicados de hoje serão desprezados pelos dirigentes depois, mas não acredito nessa tese, pois cada um que desistir da chapa, no processo eleitoral pode sabotar e por em risco o quociente eleitoral de todos, vai valer “me queira bem que não lhe custa nada”

Não honrou os compromissos como se diz, o candidato pode ameaçar desistir, as vezes em bando. Fica a dica: Dirigentes sejam realistas nas propostas de rateio da estrutura de campanha para não ter problemas mais tarde nos comitês com o fogo amigo!

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Nessas eleições proporcionais os adversários serão os próprios concorrentes do partido a medida que a campanha evoluir, a chamada autofagia, movimento perigoso esse.

Como a questão dos nomes dos candidatos a governador e senador estão em aberto, as chapas de federais e estaduais passarão a ter maior importância lá na frente pois mais tarde esse roll de players estarão numa mesa de acordos nos fechamentos dos apoios majoritários durante outra etapa de articulação que se encerra em agosto nas convenções, liderada pelos caciques e mandatários das chapas.

Não é fácil as análises de conjuntura e escolhas de filiação, pois conforme for as decisões tomadas, o candidato (a) pode cair na oposição/situação do governador e do presidente nas eleições. A que se considerar essas duas variáveis e o impacto desse alinhamento junto a sua base eleitoral.

As eleições que sempre tiveram pequenas margens de indefinição dos resultados proporcionais historicamente em Mato Grosso. Em 2022, terá os riscos aumentados em dobro. Analistas que diziam que 50% da vitória de um candidato era garantido na escolha da melhor chapa para disputar, por causa dos coeficientes, agora, acreditam que essa régua cai para 30% ou menos.

Com a janela partidária e a federação vindoura, está praticamente impossível prever o que acontecerá com as chapas até o prazo final das filiações e das federações. O famoso troca-troca de partidos ocorrerá aos montes, dessa vez envolvendo os mandatários na janela partidária e demais candidatos ao mesmo tempo.

Fenômenos sacro-profanos e assombrosos acontecerão no apagar das luzes, um verdadeiro Baile do Mexe-Mexe, como bem denominou outrora o deputado Wilson Santos num dos seus bordões mais emblemáticos, em referência a uma famosa música sertaneja.

Imagina a loucura que está no backstage da política, em que até agora nenhum partido apresentou numa foto sua chapa pronta de deputados a sociedade, como se fazia num passado bem recente.

Pelo contrário, os nomes que compõe as listas de quase todos partidos, são praticamente os mesmos, ou seja, existe uma especulação gigantesca no mercado de candidatos (listas fakes) gerando desespero nos dirigentes e insegurança em todos.

Ao final e a cabo, todo mundo quer boas condições de competividade, estrutura partidária e a chamada viabilidade eleitoral se tivesse uma cadeira marcada com nome seria perfeito.

Aos poucos, a sociedade entende melhor esses jogos de interesses e poder nas montagens de chapa que gostemos ou não fazem parte da astúcia e da democracia.

Por mais que os candidatos façam suas contas perfeitas e esteja atento as leituras de conjunturas, em política sempre haverá uma oceano de incertezas.

Que assim seja, pois isso é a própria essência da democracia e sua fugacidade.

Meus cumprimentos especiais para os dirigentes profissionais da política honestos que montam essas chapas, pois são pouquíssimos e raros. Em regra ninguém quer fazer partido e deixa tudo para última hora.

E para aqueles que procuram segurança e previsibilidade antecipada de vencer antes das urnas reveladas a seis meses do pleito, vai um bom conselho: quem não quer correr riscos nas eleições, melhor não entrar na chapa e ficar em casa assistindo Programa do Roberto França.

Nesse jogo da politica e da vida é inútil ter certeza!

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Crise na Ucrânia: os russos estão errados?

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esta altura dos acontecimentos é impossível predizer qual será o desfecho da crise da Ucrânia. Os cenários prováveis são muitos, mas em todos eles é possível apontar um traço comum. É o presidente Putin quem está dando as cartas e a resolução final da crise será no tempo e na direção que a Rússia quiser. Ameaças econômicas e militares dos Estados Unidos e de alguns países da Europa não estão tendo nenhum efeito sobre as decisões de Putin. A única coisa que poderia tê-lo demovido de ação militar em larga escala teria sido a aceitação por parte dos Estados Unidos e da Otan das condições por ele impostas: a não entrada da Ucrânia na Otan e a retirada das armas e tropas americanas e europeias de países da Europa Oriental que, no passado recente, fizeram parte da extinta União Soviética. Mas isso já é passado.

A guerra de palavras já ficou para traz; a guerra real já começou. Putin justificou a ação militar alegando a defesa das duas regiões separatistas habitadas por russos étnicos, que a Rússia acaba de reconhecer como as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Pelo acordo de Minsk, assinado em 2015, a Ucrânia havia se comprometido a conceder autonomia a essas duas regiões, mas só não o fez como desencadeou uma ofensiva militar para retomar o controle da área que já deixou 14 mil mortos. Putin falou também em des-nazificar a Ucrânia, uma provável referência à sua intenção de desalojar o governo de extrema-direita que se instalou em Kiev desde 2014, quando o presidente eleito, Viktor Yanukovych, foi deposto por mais uma das “revoluções coloridas” patrocinadas pelos Estados Unidos na Europa Oriental.

O reconhecimento das duas repúblicas faz parte da estratégia de Putin para impedir a instalação de armas e tropas ocidentais dentro do que ele considera território russo. De quebra, resolve definitivamente o problema que vinha se arrastando há quase uma década e já deixado mais de 14 mil mortos. Ucrânia e Bielorrússia não são na visão de Putin dois países independentes, mas parte do território russo que Lenin e depois Stalin, como parte de sua política das nacionalidades (equivocada, na opinião de Putin), permitiram que se organizassem como repúblicas autônomas dentro da extinta União Soviética.

No caso da Ucrânia, os russos nunca cogitaram que aquela república autônoma da ex-URSS poderia se tornar um país independente, sobretudo por seus laços históricos e culturais com a Rússia (50% da população da Ucrânia tem o russo como primeira língua). Tanto isso é verdade que localizaram naquele território grande parte da capacidade industrial da antiga União Soviética e parte expressiva de seu arsenal atômico, que depois foi devolvido para a Rússia, quando da criação do país em 1991.

A aceitação da independência da Ucrânia foi, na visão de Putin, uma humilhação a que a Rússia foi submetida por ocasião da extinção da União Soviética. Tal situação foi tolerada por Putin enquanto a Ucrânia se manteve fora do alcance da Otan em seu movimento de cercamento da Rússia. Com a decisão de pedir ingresso na Otan, o atual governo da Ucrânia, que Putin despreza, cruzou a linha vermelha além da qual a Rússia não permite que a aliança ocidental comandada pelos Estados Unidos avance, o que na sua visão significa colocar armas e tropas americanas em território russo.

No fundo, talvez os russos não estejam tão errados. Como observou o jornalista Thomas L. Friedman, em artigo publicado no jornal New York Times e republicado pelo jornal o Estado de São Paulo (23/02/2022), a decisão de expandir a Otan para os países  da Europa Oriental ao final da Guerra Fria foi uma provocação desnecessária dos Estados Unidos. No mencionado artigo Friedman arrola dois testemunhos insuspeitos: Bill Perry, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos no governo Clinton, e George Kennan, o arquiteto da política americana de contenção da União Soviética, que deu origem à chamada “Guerra Fria”.

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Bill Perry, conforme relata o jornalista, ao recordar esse momento anos mais tarde, Perry disse, ao público de uma conferência do jornal The Guardian:

“Nos anos mais recentes, a maior parte da culpa pode ser atribuída às medidas adotadas por Putin. Mas, nos primeiros anos, devo dizer que os EUA merecem boa parte da culpa. Nossa primeira reação que deu início a esse rumo desastroso foi o início da expansão da Otan, incluindo países da Europa Oriental, alguns dos quais fazem fronteira com a Rússia. Na época, trabalhávamos em proximidade com a Rússia e eles começavam a se acostumar com a ideia de que a Otan poderia ser uma aliada, e não uma inimiga … mas ficaram muito abalados com a presença da Otan bem nas suas fronteiras, e fizeram um forte apelo para que não levássemos adiante esses planos.”

George Kennan, em conversa com o jornalista no dia 2 de maio de 1998, também não poupou críticas àestablishment belicista norte-americano. As palavras de Kennan, reproduzidas por Friedman no mencionado artigo:

“Acredito que seja o início de uma nova guerra fria. Acho que os russos vão, gradualmente, reagir de maneira bastante adversa, o que será refletido nas políticas deles. Me parece um erro trágico. Não havia nenhuma razão para isso. Ninguém está ameaçando ninguém. Tal expansão faria os pais fundadores dos EUA revirarem nas suas tumbas.”

“Assinamos um acordo para proteger uma série de países, mesmo sem ter os recursos ou a intenção de fazê-lo com um mínimo de seriedade. (A expansão da Otan) foi simplesmente uma decisão leviana de um Senado sem nenhum interesse real nas questões internacionais. O que me incomoda é a superficialidade e falta de informação vistas ao longo desse debate no Senado. Fiquei particularmente incomodado com as referências à Rússia como se se tratasse de um país louco para atacar a Europa Ocidental.”

“Será que as pessoas não entendem? Na Guerra Fria, nossas diferenças eram com o regime comunista soviético. E agora estamos virando as costas justamente para o povo que realizou a maior revolução pacífica da história para derrubar esse regime soviético. E a democracia russa é, no mínimo, tão avançada quanto a desses países que acabamos de prometer que defenderemos da Rússia. É claro que a Rússia vai reagir mal, e então (os responsáveis pela expansão da Otan) dirão que eles sempre alertaram para essa personalidade russa — mas isso é simplesmente um erro.”

Por último, nunca é demais lembrar que o mundo esteve à beira de uma guerra nuclear quando a Rússia, a pedido de Fidel Castro, colocou seus misseis na ilha de Cuba. Por que seria diferente agora com a Ucrânia? Será que os russos estão tão errados assim?

Crise da Ucrânia consolida aliança entre Rússia e China e pode redesenhar ordem mundial

Logo depois que tomou posse, o presidente Biden, em sua primeira viagem à Europa para participar da reunião do G7, na Inglaterra, encontrou-se com o presidente Putin em Genebra para dizer que o problema dos Estados Unidos era agora com a China. Na prática queria obter o apoio russo ou pelo menos sua neutralidade na grande frente anti-China que Biden estava tentando construir para superar a política isolacionista de Trump.

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Os russos não embarcaram nessa história, pois viam na China um parceiro importante e, principalmente, um seguro contra as reiteradas sanções econômicas impostas à Rússia pelos Estados Unidos e União Europeia depois da Guerra da Criméia, em 2014. Afinal de contas, a China é um grande importador do principal produto de exportação russo, que é gás natural, além de petróleo, trigo e armas. Mas um passado de atritos e de desconfianças mútuas sempre manteve os chineses com um pé atrás em relação aos russos e vice-versa. A crise da Ucrânia parece que alterou qualitativamente esse jogo. De repente, russos e chineses se viram definitivamente no mesmo barco, o que levou os dois presidentes a declarem uma amizade “sem limites” entre as duas superpotências, o que nos conduz aos idos de 1930 e 1940.

Obviamente não é de interesse da China e nem da Rússia subverter a atual ordem global, mesmo que encabeçada pelos Estados Unidos. Afinal, foi à sombra dessa ordem centrada nos Estados Unidos e no dólar norte-americano que a China se inseriu virtuosamente no sistema econômico globalizado e conseguiu em menos de cinquenta anos transformar-se na segunda potência econômica do planeta em vias de tornar-se a primeira.

Não há nenhum líder mundial que defenda com mais entusiasmo as virtudes da globalização do que o presidente Xi Jinping. Na verdade, quem quer jogar a China para fora da economia globalizada são os Estados Unidos depois que passaram a vê-la como uma ameaça potencial à sua hegemonia global que eles pretendem que perdure por todo o século XXI, pelo menos.

A China resiste a isso e procura jogar pelas regras do multilateralismo consagrado nas instituições criadas em Bretton Woods no pós-guerra com os Estados Unidos e dólar à frente. No caso da Rússia, seus vínculos econômicos com a Europa Ocidental são profundos. É a principal fornecedora de energia para países importantes da região, como a Alemanha e a Itália. Também a ela não interessa criar uma briga em casa, ou seja, no continente europeu, por causa do distante e belicoso Estados Unidos.

Mas o futuro se constrói dentro das circunstâncias que nos são impostas, não há como escapar disso. E as circunstâncias colocaram Rússia e China definitivamente no mesmo barco. Caso não consigam se manter aceitas na atual ordem mundial comandada pelos Estado Unidos, unidas Rússia e China podem não só apoiar-se mutuamente, tanto econômica quanto militarmente, quanto podem ser o polo aglutinador de uma nova ordem global que não tenha os Estados Unidos na cabeça.

É sintomático que na declaração conjunta que selou a amizade ilimitada entre China e Rússia o termo Brics tenha sido mencionado pelo menos cinco vezes. As boas relações entre Rússia e China com os países da África e da América Latina é fato notório. A viagem do presidente brasileiro Jair Bolsonaro à Rússia em meio à crise da Ucrânia é sintomática. Independentemente das motivações que levaram Bolsonaro à Rússia, o fato é que os interesses econômicos e as boas relações diplomáticas que unem os dois países são poderosos e estão acima de diferenças políticas, fato, aliás, que se repete, na relação do Brasil com a China. Os efeitos da crise da Ucrânia podem, assim, ser mais profundos e duradouros do que uma observação superficial dos acontecimentos pode levar a crer.

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