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Estudantes de Barra do Garças são premiados com menção honrosa na Olímpiada de Matemática

Trata-se das estudantes Luciana Anaid Silva de Lima aluna do 6°C, Emilly Vitória de Oliveira Pereira e Emanuelly Vitória Fernandes da Silva ambas do 8° ano C.

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Três estudantes da Escola Estadual Professora Julieta Xavier Borges, em Barra do Garças, fizeram bonito na 2ª fase da Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) ao serem premiadas com menção honrosa na edição de 2021. Trata-se de  Luciana Anaid Silva de Lima, aluna do 6° ano, Emilly Vitória de Oliveira Pereira e Emanuelly Vitória Fernandes da Silva ambas, ambas do 8° ano.

Para a diretora Andreia Rodrigues Geres, a premiação é um motivo de orgulho para as famílias e a comunidade escolar. A gestora lembra que a Escola sempre participa da OBMEP e na edição de 2021 foram 14 estudantes participantes.

“Já é uma tradição de nossa escola participar de competições educacionais e nossos alunos não medem esforços para conseguir estar sempre os melhores”, comemora.

O professor de matemática Jonhy Syllas dos Santos Ferreira tem o mesmo entendimento da diretora, pois, mesmo com a pandemia, os alunos tiveram uma participação relevante.

“Sabemos que a vontade é de todos terem uma premiação, mas dada a complexidade da prova e as possibilidades de cada aluno que acontece os resultados. O importante é a participação nas atividades escolares”, assinala.

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A OBMEP é a competição do conhecimento brasileira que tem a maior participação no país. Ela premia alunos com medalhas de ouro, prata e bronze e menção honrosa para aqueles que tiveram bom desempenho, mas não chegaram na nota de corte.

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Analfabetos vão à escola depois de adultos e relatam drama por não saberem ler: ‘a gente pega até ônibus errado’

O g1 conta a história de pessoas que fazem parte do grupo 180 mil analfabetos em Mato Grosso e têm a vida impactada por não conseguirem sequer assinar o próprio nome.

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“Tinha vontade de assinar meu nome, para não ser analfabeto. Tenho vergonha até hoje por não saber ler. É feio demais, a gente pega até ônibus errado”. Esse é o relato de Manuel José de Souza, de 35 anos, que faz parte do grupo de quase 180 mil analfabetos em Mato Grosso.

O índice atual representa 6,2% da população. Entre essas pessoas, a maioria precisou trabalhar cedo ou nunca teve a possibilidade de acesso à escola.

Manuel é um deles. O servente de obras conta que desde cedo foi trabalhar em lavouras em zonas rurais do interior do estado.

Aula acontece em comunidade rural — Foto: Kethlyn Moraes/g1 MT

Aula acontece em comunidade rural — Foto: Kethlyn Moraes/g1 MT

“Mexia só com lavoura, nunca fui para a escola, porque lá [onde eu morava] não tinha. Meu pai falava que se a gente fosse pra escola ia ficar sem trabalhar na roça, então não podia”, conta.

Apesar de não poder, Manuel relata que, quando criança, tinha muita vontade de aprender e que a falta de estudo impactou em toda a vida dele, inclusive nas atividades diárias, como pegar um ônibus para ir trabalhar.

Ele conta que já foi para lugares errados por não conseguir ler e ter vergonha de pedir ajuda.

Eliane aprendeu a escrever o próprio nome aos 47 anos  — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Eliane aprendeu a escrever o próprio nome aos 47 anos — Foto: Kethlyn Moraes/g1

“Já aconteceu. Aí precisei de ajuda, falaram qual eu deveria pegar para ir aonde eu queria”, relata.

Outra relato sobre as dificuldades enfrentadas desde cedo é do auxiliar de serviços gerais Ednei Rodrigues, de 39 anos, que nunca foi alfabetizado. Ele conta que começou a trabalhar cedo na roça para ajudar os pais e que, por causa disso, nunca estudou.

“Novo mesmo eu já ajudava a minha mãe na roça a levar comida para os trabalhadores. Comecei a trabalhar cedo. Minha mãe era pobre e naquele tempo só quem tinha dinheiro ia para a cidade. Então fui criado na roça, aí não estudei muito. Quando fui para a cidade, já estava grande e não dava mais para estudar”, relata.

 

Alunos aprendem as primeiras letras em programa de alfabetização em MT — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Alunos aprendem as primeiras letras em programa de alfabetização em MT — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Atualmente, Ednei mora em uma comunidade em Cuiabá e faz parte de uma turma do grupo ‘MT Mais Muxirum’, projeto de alfabetização da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) Agora, o auxiliar está aprendendo as primeiras letras.

“Espero sair daqui sabendo ‘fazer’ meu nome. Daqui é só pra frente”, relata, esperançoso

Analfabetismo em MT

Casos como o de Manuel e Ednei não são raros no estado.

Segundo os dados da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), só em 2021, 10.659 pessoas foram alfabetizadas depois de adultos em 57 municípios mato-grossenses, pelo programa ‘Mais MT Muxirum’.

Neste ano, estão matriculadas 12.371 pessoas em 105 municípios no programa.

Programa Mais MT Muxirum oferece alfabetização em 101 municípios de Mato Grosso — Foto: Seduc-MT

Programa Mais MT Muxirum oferece alfabetização em 101 municípios de Mato Grosso — Foto: Seduc-MT

Segundo a secretária-adjunta de Gestão Educacional da Seduc,Valdelice de Oliveira Holanda, a maioria desses alunos são pessoas mais velhas, entre 50 e 60 anos, mas há também os mais jovens, como o caso de Ednei e Manuel.

“No geral, são alunos de duas ou três gerações atrás, quando o processo de escolarização no Brasil era ainda mais complexo e o acesso às escolas era muito mais difícil”, afirma Valdelice.

As cidades com o maior número de pessoas não alfabetizadas em Mato Grosso são: Rondonópolis (5.178), Cuiabá (3.798), Juína (2.705), Várzea Grande (2.680) e Cáceres (2.288).

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Programa de alfabetização

Cartazes escritos em sala de aula de comunidade — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Cartazes escritos em sala de aula de comunidade — Foto: Kethlyn Moraes/g1

De acordo com a secretária , o objetivo do projeto MT Mais Muxirum é atingir a meta de 100% de alfabetização e letramento em Mato Grosso em quatro anos.

“Hoje cerca de 6% da população mato-grossense não possui nenhum tipo de alfabetização, ou seja, são pessoas que não dominam nenhum processo de escrita e letramento e, portanto, estão à margem de todos os processos da vida humana, todos conectados aos processos de escrita e leitura”, afirma.

O estado recebeu aproximadamente R$ 14 milhões em recursos para a alfabetização no último ano. O programa funciona em regime de colaboração com os 141 municípios. Atualmente, 101 aderiram.

Para abrir as turmas de alfabetização, a Seduc se baseia nos índices de analfabetismo de cada cidade, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral.

O estado estabelece o projeto e os prefeitos fazem a adesão. O município contrata professores, uma coordenação local e essas pessoas são remuneradas.

As aulas são de, no máximo, duas horas por dia, não podendo ultrapassar isso por causa da idade das pessoas.

O governo cede também a merenda e o material escolar. As turmas podem funcionar de dia ou no período noturno.

Falta de acesso às escolas

Alunos sendo alfabetizados depois de adulto em MT — Foto: Seduc/MT

Alunos sendo alfabetizados depois de adulto em MT — Foto: Seduc/MT

Segundo Valdelice, ao analisar o porquê dessas pessoas não conseguirem o acesso às escolas, os apontamentos são vários.

“Primeiro, nós não tínhamos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) aprovada, porque ela é de 1996, e somente com a LDB nós tivemos uma democratização maior do ensino no Brasil. Pela lei anterior, o ensino não era obrigatório, como é hoje. Todos os programas criados a partir de então estão ligados ao processo de escolarização, como o Bolsa Família e CAD Único, o que não acontecia anteriormente”, analisa.

Lucimara Gonçalves, de 55 anos relata que está na estatística e nunca chegou a ir para a escola.
“Ia pra roça desde cedinho. Sempre trabalhei na roça. Trabalhava e apanhava. Meu pai era muito bravo”, diz.

Lucimara, de 55 anos, em aula de alfabetização — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Lucimara, de 55 anos, em aula de alfabetização — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Lucimara conta que tinha vontade de aprender e estudar, mas que os pais nunca deixaram. Por causa disso, cresceu dependendo sempre de outras pessoas para tudo. No ano passado, começou o curso de alfabetização e agora já escreve o nome e lê palavras básicas.

“Agora já sei ler até o nome no ônibus. Sei qual ônibus pegar para ir para a minha irmã, olho e já consigo ver”, relata.

 

Quando aprendeu as primeiras letras, a professora Maria José conta que Lucimara não parava de comemorar.

“Ela ficou gritando: Maria, Maria, aprendi a ler meu nome”, conta Maria, emocionada.

Inclusão social

 

A secretária Valdelice avalia que a alfabetização é também uma ação de inclusão social.

“Consideramos que uma pessoa analfabeta em um mundo letrado como é o nosso tem uma série de dificuldades para desenvolver sua vida de um modo normal. Até para gerir sua aposentadoria, ir ao banco, sacar seu próprio dinheiro, gerir sua própria vida. Isso impõe a necessidade de um processo mínimo de leitura e escrita”, diz.

 

Alunos estudando em MT Mais Muxirum em Cuiabá — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Alunos estudando em MT Mais Muxirum em Cuiabá — Foto: Kethlyn Moraes/g1

Jose Manoel Severino, de 64 anos, conta que para as atividades diárias sempre recebe a ajuda de alguém.

“Eu pergunto se tem alguém pra ajudar. Sempre pergunto se vai para tal lugar, sempre tem alguém para ajudar”, afirma.

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Ele trabalhou por muitos anos em restaurantes e conta que tem três carteiras assinadas. Mas antes disso, quando pequeno, também foi tirado da escola para trabalhar na roça.

“Não aprendi quase nada, só sabia escrever meu nome”, diz.

José já está há dez meses no programa e conta, rindo, que já passou do tempo do curso, mas que não quer ir embora.

Alfabetização em MT — Foto: Secom/MT

Alfabetização em MT — Foto: Secom/MT

Valdelice explica que aliada a esses fatores, há a questão de vergonha.

“Os alunos geralmente em suas queixas e depoimentos dizem que se sentem muitas vezes envergonhadas porque precisam solicitar a ajuda de pessoas estranhas para pegar um ônibus ou acessar qualquer tipo de serviço”, afirma.

 

As aulas de alfabetização acontecem em um período de seis meses de aulas, que é o processo que leva pra elas conseguirem ser alfabetizadas.

“Ler é aprender a ver”

 

Muitos alunos que estão se alfabetizando têm a média de 60 anos em MT — Foto: Secom/MT

Muitos alunos que estão se alfabetizando têm a média de 60 anos em MT — Foto: Secom/MT

Uma das mais de 100 coordenadoras do projeto de alfabetização ‘Mais MT Muxirum’, Eliza Oliveira, afirma que aprender a ler é aprender a ver.

“É a importância de poder sair da cegueira, de poder pegar um ônibus, de poder ler. Tem uma senhora que o sonho dela é aprender a ler pra ensinar o neto dela a fazer a tarefa escolar, porque ele cobra isso”, relata.

 

Conhecendo novas histórias diariamente, Eliza afirma que é gratificante ver a evolução dos alunos.

“É um orgulho. Não tem explicação você ver uma pessoa que nunca acreditou que um dia pudesse ler e hoje consegue. Passei por uma sala de aula outro dia em que o aluno batia palma e gritava: ‘consegui’. É muito emocionante”, diz.

A pedagoga Maria José Carvalho de Assis trabalha como alfabetizadora e explica que o trabalho precisa ser direcionado.

“Quem é alfabetizador fica louco pra ver todo mundo aprender e escrever. Eu gosto mesmo é de ensinar aquele que tem dificuldade. A gente vai montando as atividades do jeito que o aluno consegue fazer até aprender. Tem horas que eu tiro só para um aluno”,

 

Maria José explica que os alunos são considerados alfabetizados quando conseguem reconhecer o alfabeto, assinar o nome e aprendem os numerais.

Aluno estudando em curso de alfabetização em MT — Foto: Secom/MT

Aluno estudando em curso de alfabetização em MT — Foto: Secom/MT

Eliane Pereira da Silva, de 47 anos, exibe as letras com orgulho. Ela está há dois meses estudando e já consegue assinar seu nome.

“Eu parei de estudar na quinta série. Com 15 anos fui caçar casamento. Era assim na época, né. Com 17, tive a primeira filha e depois mais duas. Alguns anos depois, o pai delas morreu. Voltei pra casa do meu padrasto, que morreu anos depois também. Foi muito difícil”, relata Eliane.

Ela conta que as dificuldades a levaram a conhecer o mundo das drogas, e que, na época, quase morreu. Por causa disso, nunca teve grandes perspectivas. Atualmente, Eliane faz parte de um programa de reabilitação para dependentes químicos e também está no programa de alfabetização.

Ela relata que por causa das drogas a mente estava atrofiada, então foi um desafio aprender a ler e escrever novamente.

“Fiquei feliz quando escrevi meu nome. Por causa da minha mente, né? Minha mente tinha parado e agora está voltando, conta.

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