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Como povo indígena de Mato Grosso se viu no novo epicentro da pandemia de covid-19 no Brasil

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O cacique Domingos Mãhörõ, de 60 anos, foi a 36ª vítima do coronavírus entre os povos indígenas xavantes. A liderança foi sepultada na terça-feira (6/7), na Terra Indígena Sangradouro, em Mato Grosso. Todos que se envolveram no transporte e sepultamento de Domingos estavam sem os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados. A proteção de seus corpos se deu apenas pela pintura tradicional denominada segredo dos homens, um anteparo simbólico que integra a cerimônia tradicional de luto dos A uwê Uptabí", o povo autêntico, como estes se autodenominam.

Os xavantes são o terceiro grupo indígena mais atingido pela pandemia da covid-19 no país. São mais de 200 casos de infecção confirmados, e 36 óbitos. Eles vivem em Mato Grosso, considerado pela Fundação Oswald Cruz (Fiocruz) o epicentro da pandemia no Brasil, com um aumento de mortes provocadas pela covid-19 de 454,55% em junho.

Desde o agravamento dos casos, os indígenas clamam por ajuda, mas poucas ações chegaram de fato às aldeias. "Não temos álcool gel, termômetros, nem máscaras. Já pedi que nos dessem aventais e outros equipamentos de proteção para os sepultamentos, mas até agora nada. Não podemos esperar, logo é assim mesmo, os sepultamentos estão em condições precárias de segurança para os coveiros", diz Clarêncio Urepariew, chefe do Conselho Distrital de Saúde Indígena Xavante (Condisi).

A cultura xavante determina que, após o enterramento, os responsáveis pelas sepulturas têm a posse dos bens do finado. Cessando o luto, que dura entre sete a quinze dias, tudo referente a pessoa que morreu é queimado, e outros objetos da casa são levados pelo representantes do clã responsável pelo enterramento – um contato íntimo com ambientes que podem não estar devidamente higienizados.

"Apenas os postos de saúde e as barreiras sanitárias foram desinfetados. Agora estão começando a ter esse material de limpeza nas barreiras para limpar carros e as compras que chegam às aldeias. Mas, no início, ainda eram apenas barreiras comuns", explica Clarêncio da Condisi.

Xavantes denunciam que não sobraram edicamentos pata tratar casos de coronavírus nas Unidades de Pronto-Atendimento (Upas) locais. Enquanto não há uma ação efetiva por parte dos entes públicos, o apoio vem de missões religiosas e ações pontuais voluntárias. Muitas das primeiras máscaras recebidas pelos xavantes de Campinápolis (475 km de Cuiabá), em Mato Grosso, por exemplo, foram doadas pelo missionário José Filho, da Assembleia de Deus.

Ele e Mirian Terena, funcionária aposentada da Fundação Nacional do Índio (Funai), afirmam terem criado uma pequena campanha para apoiar os indígenas da cidade. Os dois dizem ter distribuído mais de 1,5 mil máscaras aos indígenas e álcool gel para os que foram testados positivos e permanecem isolados em Caminápolis. A cidade tem 60% de sua população formada pelo povo xavante.

Os religiosos da Missão Salesiana de São Marcos, vizinha a Terra Indígena de São Marco, fizeram outras ações de apoio aos xavantes. O primeiro vídeo na língua indígena para explicar o que era o coronavírus foi produzido pelos padres, pelo xavante Aquilino Tseré ub õTsirui á  e por Bartolomeo Giaccaria.

No texto que segue o vídeo 

há referencias as pomadas e xaropes de cura distribuídas pelos religiosos e ao fato de muitos indígenas acreditarem que os espíritos ligados a sua cultura mítica podem protegê-los dos coronavírus.

A missão salesiana está em contato com os indígenas desde 1958, e foi o local que abrigou toda uma aldeia retirada à força pela ditadura militar da Terra Indígena Marãiwatsédé, na década de 1960. As religiosas da ordem Filhas de Maria Auxiliadora também vivem na Missão desde 1964, local onde foram educadas muitas crianças xavantes retiradas de suas famílias entre as décadas de 1960 e 1980.

"Não podemos negar ajuda quando recebemos doações de mascaras e mais o que vier. Neste momento, quem nos doar algo para combater essa doença, será bem-vindo", diz Clarêncio Xavante, afirmando que está "desde fevereiro tentando traçar um plano de controle e enfrentamento da pandemia".

Sem um plano mais amplo de combate ao coronavírus entre os indígenas, a proximidade com religiosos pode ter um efeito contrário à intenção inicial de ajudar. Hoje, todos os religiosos de Missão Salesiana São Marco estão infectados pelo coronavírus, por exemplo. Uma voluntária de 80 anos, Josia Maria, morreu vítima do vírus em junho.

"Os brancos nos acusam de estarmos fazendo aglomerações, mas esse vírus é algo que veio de fora das aldeias. Nós somos vítimas disso. Não teria isso entre nós se não fossem os brancos trazer", diz Lúcio Xavante, cacique da Terra Indígena São Marco e secretario-executivo da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).

No dia 24 de maio houve uma procissão de Nossa Senhora Auxiliadora na aldeia central da Terra Indígena de São Marcos, a mais atingida hoje pelo coronavírus, o que poderia ter desencadeado a infecção e morte de muitos idosos indígenas.

"A procissão aconteceu, mas por iniciativa dos indígenas, não da Missão. Estamos com a igreja fechada desde março por ordem da Arquidiocese. Mas sim, quase todos aqui estão contaminados pelo coronavírus, inclusive eu. O pior foi em 10 de junho, agora já estamos nos restabelecendo", afirmou o padre Douglas Chrystiano S. Souza à BBC News Brasil.

Um vídeo de abril deste ano, postado nas redes sociais, mostra outro contato entre indígenas e religiosos sem proteção contra o coronavírus. Na imagem, o pastor José Filho faz um culto de cura no quintal de uma residência em Campinápolis. Uma mulher xavante identificada como Judélia está deitada no chão muito abatida. Cantando e rezando na língua xavante, o pastor se aproxima de crianças e da mulher debilitada e proclama "Jesus vai lhe curar hoje".

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As ações e contato do pastor com a comunidade xavante aconteceram ao logo de todo o mês de abril, maio e junho. Ele chegou a visitar uma das aldeias indígenas, supostamente em junho, e postou uma imagem sua com uma criança xavante sem máscara. Nas redes sociais, imagens de José Filho distribuindo mascaras e junto a indígenas em Campinápolis também são comuns. Ele nega que esse contato tenha acontecido depois de março, quando o governo de Mato Grosso publicou um decreto instituindo a quarentena.

Duas crianças xavantes andando
Image captionMissões religiosas continuaram a frequentar as aldeias durante a pandemia de coronavírus

Duas denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPE) referente a aglomerações e ações dos religiosos nas terras indígenas xavantes. Segundo a assessoria do MPE, já existe um procedimento investigatório para apurar a denúncia, mas não há encaminhamento ainda.

O procurador da República Everton Pereira Aguiar Araújo, que atua no MPF de Barra do Garças, afirmou ter ciência da denúncia, porém ainda não conseguiu efetivar as barreiras sanitárias por falta de apoio do governo federal. Faltam recursos e pessoas para instalar barreiras em todo território xavante.

"Eles têm total autonomia para decidirem sobre seu futuro religioso. O Estado não tutela mais os indígenas desde a Constituição Federal de 1988. Agora, neste momento de pandemia, essas presenças não deveriam existir nas aldeias. Essas pessoas não podem estar nas terras indígenas. Estamos investigando e sabemos que também há pretensos candidatos das eleições municipais indo nas aldeias, uma vez que a população xavante é tão numerosa que pode decidir uma eleição nessa região", disse o procurador. "Não tivemos apoio do Dsei (distrito sanitário especial indígena) para as barreiras sanitárias, quem tem ajudado é a Funai, mas seguimos com essa orientação de monitorar que entra e sai do território", diz.

Segundo Lúcio Xavante, da Fepoimt, a falta de apoio na saúde da atenção básica e o atraso nas barreiras sanitárias dificultou a interrupção do acesso de terceiros aos indígenas. Muitas das aldeias são vizinhas e cortadas por estradas, como no caso de Marãiwatsédé, onde está a BR-158 — o local é cortado pelo trafego de carretas com rebanhos bovinos e grãos.

"Estamos conseguindo isolar as aldeias. Se tivesse mais ajuda do governo para construirmos um hospital de campanha para isolar os suspeitos e o ente da família diagnosticado, ajudaria mais a comunidade. Como não tem esse hospital, é difícil falar sobre a questão do isolamento. As pessoas acabam isoladas nas suas casas com suas famílias. Mas se alguém passa mal, precisa ir para cidade. Não temos carros em todas a regiões, a Funai não tem capacidade de suprir isso, então a família recorre a quem puder ajudar", diz Lúcio Xavante.

O pastor José Filho confirmou que atua com os xavantes, mas disse apoiar o combate ao coronavirus. Afirmou que suas ações são individuais, sem ligação com a Igreja Assembleia de Deus.

"Trabalho com indígena há dois anos. Mas não procedem essas acusações. Estamos fazemos o contrário, estamos conscientizando, explicando sobre a pandemia, distribuindo EPIs e explicando a eles que não façam aglomerações", disse à BBC News Brasil.

O prefeito de Barra do Garças, Roberto Farias, solicitou ao presidente Jair Bolsonaro, na quinta-feira, a criação de um hospital de campanha para atender indígenas infectados.

Porém, ainda não há sinalização de que isso vá acontecer. Por enquanto, o atendimento segue com pouca estrutura in loco. "Tem um médico que foi contratado, e está fazendo um rodízio por todas as aldeias, mas elas são mais de 300. É ele quem tem o teste rápido para coronavírus. Na verdade, ele fica no polo base na aldeia central, a São Marco", explica Lúcio Xavante.

Os indígenas alertam que também não há termômetros para os atendimentos nas aldeias xavantes.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, pretendia visitar Barra do Garças nesta sexta (10), para uma agenda de compromissos relativos aos direitos indígenas, mas cancelou sua viagem depois por conta do teste positivo de coronavírus de Jair Bolsonaro. Em sua agenda, não consta mais nenhum compromisso oficial.

Contaminação comunitária

Casa de índios xavantes
Image captionHoje existem cerca de 23 mil xavantes no Brasil

Os xavantes são do tronco linguístico macro-Jê, a etnia mais populosa de Mato Grosso e a quarta do país, com cerca de 23 mil indivíduos espalhados por nove terras indígenas, em mais de 320 aldeias. O que restou a esse povo de seu território tradicional — espoliado pela colonização promovida pelo governo federal durante a "Marcha para o Oeste" — segue desde as cabeceiras do rio das Mortes até o rio Araguaia, na divisa entre Mato Grosso e Goiás. Algumas aldeias, como a Central de São Marcos, tem mais de duas mil pessoas, outras são menores, inacessíveis e cercadas por fazendas.

A dificuldade de acesso a esse território é outro ponto de vulnerabilidade desses indígenas frente ao coronavírus.

"Eu acredito que já exista contaminação comunitária entre os povos xavantes, principalmente nas aldeias maiores. Por isso estamos lutando para fazer alguns atendimentos no próprio território indígena, para evitar esse deslocamento. Lançamos uma campanha para trazer equipamentos médicos, como o oxigenador. Tem dado certo, hoje estamos com mais de 30 indígenas sendo atendidos", explica Ana Paula Sabino, que atua há vinte anos com os Xavantes, e coordena da campanha SOS Xavante
A  uwe Tsari.

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"Porém, sabemos que em casos graves o deslocamento para hospitais é inevitável", diz Ana Paula.

A campanha tem apoio da Federação dos Bancários e Bancárias da Região Centro Norte (Fetec/Centro Norte), em parceria com a Fepoimtme do Conselho Distrital Indígena Xavante (Condisi).

"Conseguimos reunir recursos para a compra dos oxigenadores, mas outra parte precisamos aplicar para conseguir cestas básicas para os indígenas. Isso ajuda evitar que eles saiam das aldeias", explica Ana Paula.

Vírus de fora

Desde o agravamento das mortes por coronavírus entre os xavantes, os indígenas começaram a ser acusados de promoverem aglomerações e de serem os agentes disseminadores dos vírus entre seus pares. Imagens de um campeonato de futebol, entre 9 e 10 de maio, estão entre as cenas que mais repercutiram.

As lideranças rebatem que muitas dessas ações acabaram sendo uma forma de os indígenas demostrarem indignação com a falta de assistência. "Muitos dos que participaram desses torneios e outras aglomerações fizeram meio como protesto. Ninguém nos ajuda, dizem que não podemos ir para as cidades, mas até hoje não recebemos cestas básicas suficientes para permanecermos nas terras indígenas. Eu mesmo só vi o álcool gel, uma vez, quando me deram um pequeno frasco de 60 ml, isso um mês atrás", diz Lucio Xavante.

"Os brancos não conseguem seguir as recomendações para ficarem em casa. Nós, indígenas, temos o dobro de dificuldades, e isso também passa pelas campanhas que deveriam ter acontecido antes das mortes", conclui Clarêncio da Condisi.

A primeira morte entre os xavantes por coronavirus aconteceu em 11 de maio, na aldeia Marawãitsédé, no município de Alto Boa Vista (a 914 km de Cuiabá). As instalações do principal hospital que atende aos indígenas fica em Barra do Garças (a 516 km de Cuiabá), cidade onde foi diagnosticada o primeiro caso de coronavírus entre índios de Mato Grosso. A cidade já tinha 38 pessoas infectadas e o primeiro a morrer foi um caminhoneiro, Obed Fullin, de 54 anos, no dia 16 de abril.

Outra morte foi a de Pascoalina Retari, líder indígena da aldeia Guadalupe, no domingo (14/6), com diagnóstico de covid-19. Pascoalina era da Terra Indígena Xavante São Marcos. Com a morte dela, a Defensoria Pública de Mato Grosso notificou o prefeito de Barra do Garças, Roberto Ângelo de Farias, a editar novo decreto municipal para fechar serviços não essenciais como bares, restaurantes e comércios que possibilitem aglomerações.

Liderança indígena da aldeia Guadalupe, Pascoalina Retari, morreu no domingo (14/6), vítima de covid-19Direito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionLiderança indígena da aldeia Guadalupe, Pascoalina Retari, morreu no domingo (14/6), vítima de covid-19

O último boletim publicado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Xavante, ligado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), aponta que 22 xavantes já morreram. Segundo a Fepoimt, esse número ultrapassa 35 pessoas.

Pesquisadores que atuam com os indígenas têm realizado um monitoramento dos casos de coronavírus no Estado. Segundo o pesquisador e arqueólogo Luciano Silva, responsável pelo monitoramento, o agravamento de caso de covid-19 entre os xavantes poderia ter sido evitado a partir das primeiras mortes.

"Sabíamos que povos e comunidades tradicionais teriam muita dificuldade de serem ouvidos, atendidos e terem acesso. A covid não mudou a desassistência, descaso e falta de acesso a políticas publicas. Isso já vem acontecendo há muito tempo. E, tendo certeza dessa situação sobre diferentes aspectos, sabíamos que os dados e documentação seriam fatores muito importantes em termos de tentar mostrar para as comunidades as que corriam risco maior de serem atingidas pela covid. E os xavantes estavam entre estes, pois são um grupo muito voltado para a vida fora das aldeias", diz Silva, pesquisador da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e presidente do Instituto Xaraés.

"Desde março já encaminhamos oito documentos para o MPF. Em um deles, de 23 de maio, já sugeríamos as barreiras sanitárias entre outras 20 sugestões, como quarentena para os médicos que vão atender os indígenas e testagem entre caminhoneiros que circulam pelas terras indígenas. Desde o início temos pensado nos indígenas, quilombolas, ciganos e pescadores. E no mês de maio o que pedíamos eram sugestões de vigilância epidemiológica e prevenção, (mas) nada foi feito", diz o pesquisador.

Governo nega desassistência

A Coordenação do Distrito Sanitário Indígena Xavante, ligado ao Ministério da Saúde, afirmou pela assessoria de imprensa que entregou, juntamente com a Funai, mais de 800 mil medicamentos, álcool em gel e cestas básicas para as aldeias, e que tem feito um trabalho de atendimento e conscientização.

O Ministério da Saúde, responsável pela saúde indígena, também afirmou que repassou para a Mato Grosso R$ 795,9 milhões, entre os recursos de rotina e os destinados exclusivamente ao combate à pandemia. Só o município de Barra do Garças recebeu, em recursos transferidos do Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde, R$ 15 milhões entre recursos de rotina e os referentes a ações contra à covid-19, diz a pasta.

Os profissionais buscam os pacientes que apresentem sintomas de gripe e realizam a triagem, isolando na própria aldeia os de sintomas mais leves e encaminhando para os municípios, os casos moderados ou mais graves. Todos os pacientes são orientados sobre a forma correta de realizar o isolamento domiciliar, sobre as medidas corretas de prevenção da transmissão e como identificar os sinais de agravamento dos sintomas, afirmou.

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Pai pede ajuda para tratamento de câncer no estômago da filha após SUS ‘desistir’ do caso

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Foi em 2019 após sofrer um desmaio que a médica veterinária Cintya Castro de Abreu teve os primeiros sintomas de um câncer no estômago. Ela e o marido saíram de Nova Mutum e se mudaram para Cuiabá para que a profissional pudesse iniciar as sessões de quimioterapia. Depois de apresentar fraqueza e o corpo não corresponder ao tratamento, ela mantém a esperança em um procedimento alterarnativo. Cintya deve passar por três protocolos nos próximos meses que custam R$ 30 mil, cada. Mas apenas um deles foi pago, até o momento. Sendo assim, resta arrecadar R$ 60 mil.
O pai de Cintya, Cireno Castro, contou ao Olhar Direto que depois de ter o desmaio Cintyia começou a fazer exames e descobriu anemia. Na época ela não conseguiu o diagnóstico, começou a perder muito peso e também os exames foram suspensos por conta da pandemia.Natural de Belém do Pará, em julho de 2020 ela se mudou para Mato Grosso para morar com o marido, que trabalha em Nova Mutum. Na nova cidade, Cintya não conseguia ganhar peso e continuava a sentir dores no estômago.

Em exame realizado em um posto de saúde de Nova Mutum, a médica veterinária teve novamvente diagnóstico de anemia. Diante disso, precisou ser internada para receber transfusão de sangue e também investigar a causa da deficiência de ferro.

Em dezembro, Cintya fez uma endoscopia e foi encaminhada para o Instituto de Tumores de Cuiabá (ITC), onde recebeu o diagnóstico de câncer no estômago.

A quimioterapia começou em janeiro de 2021. Foram oito sessões e em junho Cintya teve que ser internada pois estava prevista a cirurgia para retirada do estômago. “Porém as sessões de quimioterpia não funcionaram como esperado, ainda estava muito inflamado e não seria possível fazer a cirurgia”, disse o pai.

A veterinária teve alta médica e teria que voltar a fazer quimioterapia em um novo protocolo. Em agosto, ficou fraca e desmaiou em casa logo depois da primeira sessão. Foram duas semanas internadas até que Cintya retornou ao ITC para continuar as quimioterapias.

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          Os pais de Cintya rasparam o cabelo em apoio a ela. 
Foi então que o oncologista revolveu suspender o tratamento, pois ela estava muito debilitada e não aguentaria mais sessões. Além disso, não havia mais proposta de tratamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) .Dois dias antes da consulta da filha para encerrar o tratamento por conta das consequências do câncer, Cireno foi ao consultório do médico e o que ele ouviu lhe deixou bastante abalado.

O profissional teria afirmado que tudo que a medicina oferecia pelo SUS já teria sido feito. O câncer é muito agressivo e mesmo depois de três sessões de quimioterapias consecutivas, o médico não teria tido o resultado esperado.

“Devido essa situação, ele já não tinha mais nada para fazer por ela. Fiquei naquele momento sem chão”, lembra o motorista.

Depois de ouvir que era para ele retornar para família e dar muito amor e carinho para a filha, Cireno afirma que clamou a Jesus Cristo e foi trabalhar com as corridas de aplicativo como normalmente fazia. Segundo ele, a resposta que ele precisava veio no mesmo dia.

Um passageiro entrou no carro de Cireno, com roupas claras e um papel em mãos. Ao entrar no veículo, o homem disse que visitaria seu pai que estava doente e Cireno compartilhou com o passageiro que sua filha também passava por alguns problemas de saúde.

O homem, que nunca tinha tido contato com ele até então, disse que sabia da situação de Cintya e contou, inclusive, parte da história dele e que a filha estava com câncer no estômago. Além disso, disse que a Cintya ficaria curada. “Não se preocupe que sua filha vai ficar curada”, disse o homem antes de descer do carro e desaparecer.

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“Depois disso eu fiquei bem mais tranquilo. Foi aí que eu resolvi procurar outro meio de tratamento”, diz.
Como não tinha condições de pagar a consulta médica de R$ 850, nem os exames que somavam R$ 3,5 mil, cogitou até mesmo ir pedir dinheiro no semáforo.

Antes, no entanto, mandou mensagem para o genro. “Mandei mensagem para o meu genro que trabalha em Nova Mutum. Falei que iria para o semáforo e que não era para falar nada para ninguém. Só ele poderia saber caso acontecesse alguma coisa”, conta.

O genro então alertou sobre os riscos do calor de Cuiabá e pediu que Cireno não fizesse aquilo, pois ele também tem uma deficiência que poderia ser agravada. Foi então que ele resolveu dar seu relato em um grupo de WhatsApp e conseguiu ajuda financeira de diversas pessoas.

Ao longo de conversas pelas viagens de aplicativo na região metropolitana, Cireno conseguiu uma reportagem exibida na TV Centro América, a consulta com o médico renomado de São Paulo e várias doações.

O oncologista do hospital Israelita Albert Einstein, Fernando Maluf recomendou um novo tratamento para Cintya, mas ele não é oferecido pelo SUS.

“Graças a Deus encontrei muitas pessoas maravilhosas, umas delas foi o senhor Lourenzo que pagou a consulta em São Paulo para minha filha, mesmo depois que o SUS desenganou ela”, salienta.

Cireno, que antes trabalhava como mestre de obras, hoje sobrevive como motorista de aplicativo. “Hoje aqui só trabalho de motorista de aplicativo. Mais as coisas estão muito difícil. Devido as tarifas baixas, combustível alto e custo da manutenção do carro que está muito caro”, lamenta.

Serviço: A família mantém um telefone de contato  e dados bancários (PIX) para receber ajuda.
Chave PIX: Email: [email protected]
Cintya Castro de Abreu
Banco do Brasil
Celular: (91) 8721-9296 (Cintya) 

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