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MPE exige que ex-deputados de MT devolvam R$ 7 milhões por mensalinho na AL

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Dois ex-deputados que aparecem em gravações nas quais Silvio Cezar Corrêa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, distribui maços de dinheiro são alvos de uma ação pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso. As ações foram assinadas pelo promotor de Justiça Arnaldo Justino da Silva, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.

Conforme a ação do MPMT, os ex-deputados estaduais Gilmar Fabris e Luiz Marinho recebiam propinas pagas pelo ex-governador Silval Barbosa para aprovarem contas do governo e fazer “vistas grossas” para desmandos praticados em sua gestão entre 2010 e 2014. Os valores pagos, que se referiam a “mensalinhos”, já haviam sido denunciados pelo ex-secretário-chefe da Casa Civil Pedro Nadaf, antes de Sílvio e Silval entregarem os vídeos à Justiça.

Os pagamentos registrados em vídeo fazem parte da delação premiada entregue por Silval Barbosa ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além da suspensão dos direitos políticos por dez anos, os dois ex-parlamentares devem pagar altas somas em dinheiro, pelo ato considerado como improbidade administrativa.

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O MPMT pede que Fabris restitua aos cofres públicos o valor de R$ 600 mil, além de mais R$ 1,8 milhão a título de multa civil e ainda R$ 1,8 milhão por dano moral e coletivo.

Já os valores que Luiz Marinho deve pagar, conforme a ação do MPMT, são de R$ 400 mil de ressarcimento ao erário, R$ 1,2 milhão por multa civil e igual valor de R$ 1,2 milhões como indenização por dano moral e coletivo.

De acordo com o promotor, devido à quantidade de deputados que aparecem nos vídeos, foi necessário o desmembramento do procedimento em inquéritos separados. A respeito de Gilmar Fabris, a investigação apontou que o “mensalinho” que ele recebia correspondia a 12 parcelas de R$ 50 mil, que totalizaram R$ 600 mil em vantagem ilícita. Quanto a Luís Marinho, foi apurado que ele teria recebido oito parcelas de R$ 50 mil, perfazendo o total de R$ 400 mil, embora o combinado tenha sido que ele também receberia R$ 600 mil divididos em 12 parcelas.

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Outra fonte de pagamento de propinas foi o programa do governo chamado de MT Integrado, em 2013, no qual construtoras que participariam de obras de asfaltamento pelo interior do Estado deveriam “pagar um retorno financeiro ao Estado“.

Conforme consta nas ações, o ex-secretário adjunto de Infraestrutura do Estado Valdísio Viriato disse em depoimento que houve, por baixo, o desvio de R$ 5,2 milhões.

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TJ anula demissões e mantém dois membros da PC sem concurso em MT

Desembargadores entenderam que servidores agiram de boa fé

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Uma decisão unânime do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformou duas sentenças de 1ª instância que tinham declarado a nulidade de atos que concederam a estabilidade excepcional para dois policiais civis que já estão aposentados. Os despachos mandavam o Estado demitir os servidores dos quadros da Polícia Judiciária Civil e deixar de fazer qualquer pagamento sob pena de multa diária de R$ 5 mil, uma vez que ambos não foram aprovados em concurso público.

Agora, com a reforma das sentenças, ambos continuam recebendo suas aposentadorias. A decisão foi tomada

por unanimidade pela 1ª Câmara de Direito Público e Coletivo do TJ.

U.C.C.F ingressou nos quadros do funcionalismo público em 9 de junho de 1988, por meio de cargo em comissão e foi estabilizado no cargo de escrivão de Polícia no dia 22 de junho de 2010. Já  S.N ingressou na PJC em 2 de fevereiro de 1988 ocupando cargo em comissão e foi estabilizado no cargo de carreira de agente policial no dia 16 de abril de 2010.

Consta nos autos que o Ministério Público instaurou inquérito em 2011 para apurar a ilegalidade nas estabilidades funcionais concedidas a servidores temporários da Polícia Civil e de outros órgãos do Estado. E constatou que a princípio, as estabilidades eram fundamentadas no artigo 258, da Lei Complementar Estadual 155/2004, revogada pela Lei Complementar 407/2010.

Depois, os atos para estabilizar esses servidores eram embasados na decisão do Colégio de Procuradores da Procuradoria-Geral do Estado, proferida num processo de 2009. Dessa forma, conforme sustentado pelo MPE, foi criada uma nova hipótese de estabilidade funcional, não prevista na Constituição Federal, beneficiando uma grande quantidade em Estado de Mato Grosso.

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O MPE afirmou que todas essas contratações são nulas diante do descumprimento do artigo 37, parágrafo 2°, da Constituição Federal que dispõe sobre a aprovação em concurso público. O julgamento de mérito das ações se deu em outubro de 2018 determinando ao Estado que demitisse os policiais.

RECURSO NO TJ

A defesa dos policiais defendeu a ocorrência da estabilização da relação jurídica em face dos atos constitutivos de direito firmados por servidores de boa-fé. Em relação ao aposentado U.C.C.F, alegou ofensa à norma constitucional do ato jurídico perfeito, na medida em que o policial já estava aposentado muito antes da prolação da sentença.

Com isso, a defesa sustentou que não poderia ser cassada sua aposentadoria, conforme precedente recente do Supremo Tribunal Federal (STF).  O TJ reconheceu que ambos os servidores ingressaram na PJC por meio de cargos comissionados, de livre provimento e exoneração que constitucionalmente não dá direito a estabilização e não ostentavam a condição de servidores públicos durante os cinco anos que antecederam a promulgação da Constituição Federal.

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Desse modo, a exemplo de outros julgamentos de servidores em situação semelhante, os atos de estabilidade no serviço público relativos a ambos deveriam ser considerados nulos, conforma outros julgamentos do próprio Tribunal de Justiça. “Contudo, a situação dos apelantes se diferencia dos demais casos já apreciados por esta corte, tendo em vista o ato de aposentação de U.C.C.F, antes mesmo da angularidade processual, bem como o preenchimento dos requisitos à aposentadoria por S.N”, contrapôs o TJ ao dar provimento ao pedido alternativo formulado no recurso de apelação para reconhecer a inépcia da petição inicial em face do policial que já estava aposentado, estendendo a decisão ao segundo policial, diante do preenchimento dos requisitos à aposentadoria.

Os proventos de ambos foram mantidos. O acórdão foi publicado em 16 de dezembro de 2021.

Para o advogado Carlos Frederick, que fez a defesa dos policiais, a tese abriu procedente no Tribunal de Justiça de Mato Grosso que reiteradamente vinha demitindo servidores públicos na mesma situação. “É um importante avanço para a jurisprudência estadual na medida em que não é justo e nem razoável que servidores que já atingiram o lapso temporal para a aposentadoria sejam excluídos do serviço público após décadas de trabalho, isso é inconstitucional sob vários aspectos, razão pela qual está de parabéns nosso TJ por firmar esse entendimento”, comentou o advogado.

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